A Baleia Assassina e o Efeito do Distanciamento

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Estava eu mexendo em alguns papéis e me deparo com um artigo do amigo de meus pais, José Pedro. Este artigo remete uma história vivenciada por nós quando eu ainda era criança (05 anos), e acabou sendo tese de discussão em sala de aula sobre o “Efeito do Distanciamento”.

A BALEIA ASSASSINA E O EFEITO DO DISTANCIAMENTO

 

“Orca: a baleia assassina” era o filme programado para a Sessão Coruja daquele domingo. “Hora de menininha bonitinha estar na cama, não é mesmo Dona Elenira?” 

Era Goretti, a mãe, a dizer que “amanhã cedo, na hora de levantar, minh alma era triste”. 
Mas quem diz de Dona Elenira querer sair do sofá?!Não houve jeito. Ia ver o filme comigo, que ali me achava de visita. Não tem truque melhor do que esse. A mãe não ia poder, não ia saber dizer que não. 

E o filme correndo, e a chatice de sempre comendo solta. Conversa não vai, conversa não vem, aquela mesma histeria amplificada a um grau de insuportabilidade exasperante pela voz idem dos dubladores, os de sempre. 

Deitada no sofá, Elenira permanecia de costas para o aparelho. Parecia estar dormindo até. Mas eis que de repente desvirava, e se ligava no filme. Uma, duas, três, quatro vezes. E aquilo me intrigando. Até que resolvi perguntar: “Mas por que você não assiste o filme inteiro?” Respondeu que só queria olhar quando tivesse perigo. “Mas como você faz para saber quando tem perigo?” E ela, com profundo conhecimento de causa, espantoso para uma menininha de cinco anos: 
“É fácil. Eles põem uma musiquinha.” 

Fiquei pensando comigo se ainda teria alguma validade, afinal, aquela coisa do “efeito de distanciamento”. Conjeturei que as menininhas de hoje em dia talvez já nasçam com essas noções implícitas no aprendizado que fazem do mundo. Ou embutidas no código genético, sei lá… 

Quando dei por mim, ou melhor, no momento em que acordei, Elenira estava ligada no final do filme. Aquela musicona num crescendo impossível. Foi o que me fez despertar. E o comentário dela veio certeiro: “Aprendeu, hein Tio?”

Este filme me impressionou bastante. Não sei como a minha mãe deixou eu assistir! Rsrsrsrs…  Mas interessante mesmo a visão do “tio” Zé Pedro acerca daquele momento. A percepção das crianças é muito aguçada e por isso devemos ter cuidado com o que mostramos e falamos à elas. 

Se você tem mais de 30, vai lembrar do filme! Vale a indicação no youtube:

Trailler: http://www.youtube.com/watch?v=OJK7OiXYmnw

“Grand Finale” 😛 : http://www.youtube.com/watch?v=5q27jdZj5TQ

O Dr. José Pedro Antunes possui graduação em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1972), mestrado em Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas (1989) e doutorado em Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas (2001). Atualmente é professor assistente doutor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Temas de interesse: tradução literária, teoria literária, vanguardas históricas, literatura alemã do século XX, teatro, cinema, poesia, língua alemã, entre outros. (Fonte: Currículo Lattes).

A mulher e sua paixão por sapatos!!!

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Não há com negar: a relação entre as mulheres e os sapatos é algo muito particular, e comprar sapatos torna-se um ato delicioso para a maioria de nós mulheres! Principalmente quando estamos na fase daquelas três letrinhas problemáticas TPM!!

Quando trabalhava no interior do meu Estado, na cidade de Penedo (farei um post sobre ela também, pois a cidade é Tombada por se tratar de um Patrimônio Histórico de nosso País), havia uma amiga minha bibliotecária e contadora de histórias que escreveu um conto ao meu respeito por observar que praticamente todo o dia eu estava com um par de sapatos diferentes.

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Transcrevo o conto abaixo, no qual fiquei muito feliz por ser fonte de inspiração J:

A MENINA DOS SAPATOS COLORIDOS

Era menina, menina em flor, sempre menina.

Gostava de sapatos coloridos e cada par que calçava vivia uma aventura.
Quando calçou os sapatos de cor Pink, viajou até Paris e ficou encantada com a Torre Eiffel.

Os sapatos de cor verde levaram-na até o Amazonas. Lá deslizou sobre as vitórias-régias e cantou com o pássaro verde de bico dourado.

Ah! Menina, tão linda menina. Seus sapatos azuis transportaram-na até o céu. Lá ela conheceu os anjos de cabelos enrolados e cacheados, tocando harpas e deslizando sobre as nuvens.

Mas, ela possuía um par de sapatos, que era o seu preferido, pois era todo colorido e quando o calçava ela subia e descia o Arco Iris, encontrava um pote de ouro cheio de guloseimas e era uma delicia!

A menina adorava aventuras e vivia sonhando com seus pares de sapatos coloridos.

Mas, um dia misteriosamente ela perdeu todos os pares de sapatos. A menina chorou, chorou, chorou, procurou por toda a casa. Perguntou ao pai, à mãe, aos irmãos, aos colegas da escola. Mas, ninguém sabia onde estariam seus sapatos coloridos.

Só lhe restou um par surrado de cor roxa, que ela não gostava. Pois, teve de usá-lo quando sua vovó, aquela que lhe contava histórias na hora de dormir, partiu numa viagem e nunca mais voltou.

A menina ficou triste, não sorria, não comia, não brincava, só pensava nos sapatos coloridos e perguntava-se:

– Onde estariam? Por que fora abandonada por eles?

Em uma noite de lua cheia a menina resolveu dar uma volta no jardim de sua casa. Que surpresa, ao olhar para o céu! Ela viu todos os seus pares de sapatos dançando uma ciranda ao redor da lua e eles cantavam:

Menina, não chore.
Menina, não fique triste.
Menina, nunca deixe sorrir.
Menina, se você acreditar
em seus sonhos,
nós voltaremos para você.

A menina começou a sorrir e, um a um, seus pares de sapatos coloridos foram descendo da lua até ela.

A menina ficou muito feliz e continua vivendo suas aventuras.

Pé de pinto, pé de pato, quem gostar de sapatos que conte quatro.

(Para minha amiga Lila Pompe, que me inspirou este conto com seus pares de sapatos coloridos)

Postado em 20/07/2011 13:55 (http://aquiacontece.com.br/artigos/index/id/6)

Por Izabel Fernandes

Bibliotecária Especialista e Contadora de Histórias

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Lila.